O Processo de Industrialização
Migração da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro
Por causa da invasão de Portugal por tropas napoleônicas sob o comando do general Junot, o príncipe regente Dom João, à frente do governo desde que sua mãe, a rainha D. Maria I, passara a revelar sinais de perturbação mental, determinou a mudança da Corte para o Rio de Janeiro, onde chegou em princípios de março de 1808, após breve estada na Bahia, ocasião em que assinou carta-régia abrindo os portos do Brasil ao comércio de todas as nações amigas (28 de janeiro de 1808).
No Rio de Janeiro muitos melhoramentos foram introduzidos, inclusive a imprensa (Impressão Régia), onde seria publicado o primeiro jornal do país, A Gazeta do Rio de Janeiro (setembro de 1808).
Os principais acontecimentos do período em que Dom João viveu no Brasil (1808-1821) foram, além da abertura dos portos e desses melhoramentos, a declaração de guerra à França e conseqüente anexação da Guiana Francesa; os tratados de comércio com a Inglaterra (1810), de graves conseqüências, pois viriam a impedir, durante muito tempo, o estabelecimento de indústrias no país; a elevação do Brasil a Reino Unido ao de Portugal e Algarves (1815); a morte da rainha D. Maria I e a ascensão do regente ao trono, como Dom João VI; as lutas para a anexação da Banda Oriental (completada em 1821, quando se criou a Província Cisplatina); a revolução Pernambucana de 1817; a vinda da Missão Artística Francesa (Debret, Montigny, Taunay), que seria responsável pelo primeiro Salão Nacional de Belas-Artes; e, finalmente, após a revolução constitucionalista do Porto, em 1820, a eleição de representantes brasileiros para as Cortes Constitucionais Portuguesas, logo seguida da volta do rei para Lisboa, ficando no Rio de Janeiro, como regente, o príncipe herdeiro, Dom Pedro.
A industrialização do Brasil recebeu grande impulso durante a primeira guerra mundial, quando a política de substituição de importações estimulou a fabricação no país das mercadorias até então importadas da Europa. Desenvolveram-se fábricas de tecidos, carnes congeladas, óleos comestíveis e outros produtos alimentares. Contudo, somente a partir da década de 1930 pode-se falar de um processo de industrialização propriamente dito.
Durante a segunda guerra mundial, novamente o Brasil foi forçado a produzir os bens que não podia importar, e a industrialização recebeu novo impulso, destacando-se, no final do conflito, a implantação da siderurgia, com a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, marco inicial da indústria de base no país.
Na década de 1950, o ritmo industrial foi acelerado, com a instalação de numerosas indústrias de artefatos de borracha, artigos de eletricidade, couro e papel, têxteis, produtos farmacêuticos e outros, além de metalúrgicas e fábricas de cimento. A implantação da indústria automobilística assinalou um novo marco na expansão industrial do Brasil, e numerosas cidades transformaram-se em autênticos centros industriais.
Pela importância econômica, destacam-se as indústrias têxteis, químicas e farmacêuticas, metalúrgicas e de material de transporte. São Paulo concentra o maior parque industrial do país, localizado na capital, no chamado ABCD (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema), em Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos, Campinas, Taubaté e outras cidades, contribuindo com mais da metade da produção nacional. Em seguida, aparecem os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco.
A indústria siderúrgica ocupa um lugar destacado. Além da Companhia Siderúrgica Nacional, localizada em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, e a Cosigua, no mesmo estado, sobressaem a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, a Acesita, a Usiminas e outras em Minas Gerais; a Cosipa, em São Paulo; além de usinas localizadas na Bahia e no Espírito Santo.
A indústria automobilística, embora concentrada em sua maior parte em São Paulo, já se irradia para outros estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Além de veículos motorizados, o país passou também a fabricar locomotivas e vagões ferroviários.
A indústria aeronáutica apresenta notável desenvolvimento, desde sua criação, em 1969, com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que exporta aviões comerciais e militares para vários países. Também merece destaque a indústria naval, sediada principalmente no estado do Rio de Janeiro.
O Quadro Atual
A agricultura continua a ser uma das grandes fontes da economia nacional, não obstante a sua baixa produtividade, tecnologia atrasada, defeituosa distribuição das terras e baixos preços dos produtos alimentícios e matérias-primas, tanto para consumo interno como para os mercados estrangeiros. O café, produto de tradicional importância, é cultivado principalmente em MG, ES, SP, PR. A soja (PR, MT, RS, MS, GO) é cultura em forte expansão. A cana-de-açúcar, dos principais produtos, é plantada sobretudo em SP, PE, AL, MG, PR. O cacau é também relevante, e a Bahia o seu grande produtor. Outras importantes culturas são: milho (PR, SP, MG, GO, RS, SC), arroz (RS, MA, SC, GO), algodão (PR, SP, BA, MG), mandioca (BA, PA, PR, MA, PI), feijão (BA, PR, MG, SP, CE, SC), mamona (BA, SP, CE, PE, PI), tabaco (AS, SC, PA, AL), sisal (BA, PB), bananas (BA, SP, PE, PA, SC, MG), laranjas (o grande produtor é SP), uva (RS, SP, SC, PR), coco-da-baía (BA, CE, PA, RN, SE), juta (PA, AM). A criação de bovinos predomina em MG, MS, GO, RS, SP, BA; a de suínos, RS, PR, SC, MG e MA; a de caprinos, BA, PI, PE, CE, PR; a de eqüinos, em MG, BA, SP, RS; a de muares, em MG, BA, SP; e a de ovinos, no RS, BA, CE, PI, PE.
A indústria extrativa vegetal é muito variada. A borracha produz-se em SP, BA, MT, ES, PA; a erva-mate, no RS, SC, PR; a castanha-do-pará, no AC, PA, AM, AP; a oiticica (CE, PB). Muitas árvores estão sendo exploradas, como o jacarandá, a maçaranduba, o cedro, a imbuia, o pau-rosa. Entre as oleaginosas, sobressai o babaçu (MA, GO). No grupo das plantas de tanino destacam-se o barbatimão, o angico e os mangues, e no dos vegetais de aplicação medicinal, a erva-de-bicho, a erva-de-santa-maria, o guaraná, o jaborandi, o urucu. A mineração está longe de corresponder às possibilidades já conhecidas. O ferro é o mineral mais importante, com jazidas em diversas unidades, sobretudo em PA, MG e MS; o manganês é extraído no PA, MG, AP e MS; a cassiterita (estanho) no AM e RO. Existem apreciáveis reservas de bauxita no PA e MG, de níquel em GO, berílio em MG, cromo na BA, cristal-de-rocha em MG, BA e GO, diamantes em MT, MG e RR; zircônio e urânio em MG; tantalita, no Nordeste, areias monazíticas no ES. O carvão mineral tem SC como o maior produtor, o estanho, as principais reservas no RS. O petróleo é extraído sobretudo na BA, SE, AL e na plataforma continental, com destaque para o RJ (bacia de Campos). As produções de cobre (principalmente no PA e BA), chumbo (BA, PR) e zinco são insuficientes para o consumo interno. Há fontes minerais e termais em vários Estados (MG, SP, BA e outros). A pesca tem sido incrementada. Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão e Amazonas são as unidades que mais se destacam na captura de peixes, crustáceos e moluscos. A produção industrial compreende a mineração, a energia elétrica, a construção civil e as indústrias de transformação (mecânica, metalúrgica, aparelhos elétricos, material de transporte, madeira, borracha, couros e peles, têxtil, vestuário, calçados e artefatos de couros, bebidas, fumo, produtos alimentícios, etc.). São Paulo constitui o grande Estado industrial, seguindo-se o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina, Bahia e outros. Algumas indústrias já são antigas, como as de açúcar, cerâmica, bebidas, tecidos. A indústria siderúrgica tomou grande impulso com a criação de Volta Redonda. A de automóveis, a de aviões, as indústrias químicas, a de cimento estão em franco desenvolvimento, bem como a de construções navais na fase do navio de aço.
A produção de energia elétrica remonta ao final do séc. XIX, tanto sob a forma de termeletricidade como de hidreletricidade. Seu crescimento nos últimos anos foi notável. Criaram-se ou estão em construção ou em projeto grandes usinas, tais como a de Paulo Afonso, as do sistema de Furnas, a Usina Castelo Branco (no Parnaíba), o complexo de Urubupungá, a de Itaipu, a de Tucuruí (no Pará). Em Itaorna (Angra dos Reis), instala-se a primeira usina nuclear. Os meios de transportes e as vias de comunicação têm constituído grandes preocupações dos últimos governos do Brasil. Trata-se de criar uma infra-estrutura que estabeleça a integração nacional e permita forte desenvolvimento econômico. As rodovias, o aparelhamento dos portos já existentes, a criação de terminais aéreos, rodoferroviários, fluviais e marítimos, a conexão entre os transportes terrestres, aquáticos e aéreos estão transformando rapidamente o Brasil. As ferrovias, que se achavam relegadas a segundo plano, estão sendo reaparelhadas. A frota mercante encontra-se em franca renovação.
Implantou-se um sistema de telecomunicações que já cobre todo o país e ampliou-se o serviço telefônico, inclusive com a discagem direta para muitos países estrangeiros.